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Pedagogia Freireana: conceitos e impacto na educação atual

Você sabe quem é Paulo Freire? Para o educador e pedagogo, a educação deve se basear no diálogo entre professor e aluno, procurando transformar o estudante em um aprendiz ativo.

paulo freire e a pedagogia freireana

Pedagogia Freireana: um pouco de história

Segundo Paulo Freire, “educar é humanizar”. Em outras palavras, para esse pensador e educador, a educação só ocorre quando há interação, compreensão e aceitação do outro, sempre, em condições humanitárias. Freire pensou no aluno como um indivíduo inserido em um contexto e não como alguém sem nenhuma experiência que precisava ser “preenchido” de saberes. Entendeu que seria necessário compreender a realidade dos alunos para, depois, alfabetizá-los. Ele trabalhou com lavradores e percebeu que as palavras das cartilhas tradicionais não faziam parte do universo daqueles alunos. Assim, Freire desenvolveu o Método Paulo Freire: uma proposta de educação dividida em três etapas: investigação, tematização e problematização

Fonte: https://idocode.com.br/blog/educacao/metodologia-freiriana/https://idocode.com.br/blog/educacao/metodologia-freiriana/

As etapas do método Freireano

Ao invés de introduzir frases padrão que não possuem conexão com a realidade dos alunos, a pedagogia Freireana propõe que é necessário descobrir quais são as palavras presentes no seu vocabulário. A observação das vidas e experiências dos estudantes possibilita ao professor entender suas realidades e identificar o vocabulário mais utilizado por eles. Além disso, a investigação incentiva o diálogo entre todos e a escolha dos temas a serem estudados. 

Em uma segunda etapa, o material que será usado no processo de alfabetização é definido. Então, a estratégia de ensino se baseia nas frases e expressões mais comuns usadas pelos alunos e que tenham mais significado para eles. A partir das experiências colhidas, são criados meios para incentivar a discussão e debate entre os elementos do grupo. Esta é a fase da tematização.

Por fim, na fase da problematização, o trabalho de alfabetização e de conscientização é posto em prática. Com a orientação do professor os alunos analisam o significado das palavras dentro do seu próprio contexto social e cultural e assim assimilam melhor a palavra e a alfabetização começa a ganhar sentido. A partir da compreensão do sentido o professor inicia a decodificação da palavra que levará ao entendimento da escrita.

Enquanto esse processo acontece, todos os problemas fonéticos e de grafia são resolvidos pelos alunos com o apoio do professor. O educador não é um transmissor de conhecimentos ou de saberes, mas um condutor do aprendizado. Nesse processo, quem aprende não são apenas os alunos, mas também o mestre. O processo é interativo.

O método na prática

A aplicação prática do método consiste em escolher, dentro do contexto dos alunos, palavras geradoras que são descobertas em conversas com os próprios discentes (investigação).

Depois de determinadas as palavras o professor as associam a uma situação cotidiana, e busca, juntamente com os alunos, o significado social das palavras, o conceito no mundo vivido por eles (tematização). Supondo que os alunos sejam acostumados a ir feira da cidade, por exemplo, uma imagem de milho era projetada e de uma pessoa comprando o milho. Os alunos entendem: “a pessoa compra milho na feira”

Por fim, os elementos reais projetados são codificados e substituídos por elementos simbólicos (fonemas), também projetados ou em cartazes. E, os alunos vão construindo a representação dos elementos por meio das palavras (problematização). 

Fonte: https://www.rio.rj.gov.br/web/epf/exibeconteudo?id=13505833

A tecnologia na sala de aula

O crescente número de recursos digitais disponíveis para utilização em sala de aula apresenta um novo desafio às escolas: como escolher e incorporar mídias, games, softwares e outras ferramentas tecnológicas à metodologia de ensino para o desenvolvimento das habilidades essenciais para o século XXI.      

Educadores e gestores já percebem que o modelo de ensino tradicional não acompanha os desafios de uma sociedade em constante evolução e imersão tecnológicas. Os alunos já nascem nessa realidade. Com estas novas oportunidades de aprendizado, a proposta pedagógica humanista do educador pernambucano Paulo Freire nunca se demonstrou tão atual.

Multidisciplinaridade, “mão na massa” e ferramentas pedagógicas na educação 

A proposta básica da pedagogia Freiriana é de proporcionar aos alunos uma leitura do seu contexto antes de uma leitura formal, fonética. Segundo ele, “o professor desafia seus alunos com problematizações e não entrega conceitos prontos e acabados. A pergunta deve encaminhar para a liberdade, para a curiosidade e na busca de soluções para os problemas. Nesse aspecto, o professor passa a ser um mediador do processo de ensino e aprendizagem”. 

Para Paulo Freire, o diálogo e escuta aos alunos são aspectos primordiais do processo educacional. Segundo ele, os estudantes devem se expressar de forma livre, e um diálogo pautado no respeito deve acontecer para que seja construída a autonomia dos aprendizes. Por sua vez, o professor assume a responsabilidade do preparo das aulas com total controle sobre o conteúdo, mas o aluno é quem deve ser o protagonista de sua aprendizagem. Freire não acreditava na educação em que o professor é tido como detentor do saber. O debate crítico de ideias precisa nortear e fazer parte da prática diária da sala de aula.

Hoje, uma instituição de ensino que não trabalhe a interdisciplinaridade, conecte teoria e prática, ou adote ferramentas que engajem os alunos, terá muita dificuldade para se manter relevante e proporcionar um desenvolvimento significativo de seus aprendizes. Para Paulo Freire, a realidade não é estática, nem fixa. Ela não permanece parada à espera de ser apreendida, ao contrário, ela é constantemente alterada, pois é reconstruída cotidianamente pelos indivíduos. Essa visão vai de encontro aos métodos ativos de aprendizagem, abandonando a ideia de que os estudantes recebem e memorizam informações passivamente.

Logo, retornando à premissa de se focar nos contextos dos alunos, fica clara a necessidade de adoção de elementos tecnológicos no processo. Essa é a realidade em que estão inseridos hoje, com a tecnologia fazendo parte de todas as áreas de suas vidas. Portanto, é essencial que os educadores se familiarizem-se com tais recursos e possam os utilizar para promover boas experiências de aprendizado aos seus alunos, de modo que eles vejam a relevância daquilo que estão aprendendo. 

Além do mais, certas ferramentas pedagógicas podem ajudar a desenvolver habilidades técnicas importantes para a atualidade, mas principalmente, habilidades comportamentais, como criatividade, liderança, autonomia, trabalho em equipe, entre outras. 

Por fim, segundo a pedagogia Freireana, a proposta para os professores é: observe o mundo vivenciado por seus alunos, preparem suas aulas atentos ao que realmente importa para eles no contexto social e cultural, e use ferramentas pedagógicas próximas da realidade desses estudantes para envolvê-los em um aprendizado interessante e cheio de protagonismo.