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8 Metodologias Ativas que todo Educador precisa conhecer

Acabou a confusão entre os termos mais usados na educação.

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Muito se fala sobre as metodologias ativas de ensino, estímulos de aprendizagem e a aplicação de tecnologias inovadoras para a sala de aula. Com tantas referências e termos surgindo na educação, é normal que os educadores tenham dúvidas sobre a devida aplicação de cada teoria. Por isso desenvolvemos esse artigo, para servir como um ponto de partida no estudo de metodologias ativas.

Antes de aprofundar em cada tópico, precisamos compreender o que esses conceitos têm em comum. As chamadas Metodologias Ativas de Aprendizagem podem ser definidas como aquelas que promovem a participação ativa e integral do aluno em seu processo de aprendizagem, estimulando sua autonomia, autoconhecimento e o desenvolvimento de habilidades técnicas e socioemocionais.

Nessas metodologias, a aprendizagem se deriva do que o aluno faz, de suas experiências ao colocar a “mão na massa” e executar tarefas. Elas diferem do modelo tradicional expositivo, onde a aprendizagem se dá, principalmente, através da memorização dos conceitos apresentados e da repetição dos conteúdos.

Segundo Berbel (2011), as Metodologias Ativas são formas de desenvolver o processo de aprender, através de experiências reais ou simuladas, com o objetivo de solucionar, com sucesso, os desafios característicos das atividades essenciais da prática social em diversos cenários.

Alguns desses conceitos são mais conhecidos pelos educadores, como a sala de aula invertida e a gamificação. Outros são menos explorados, como a aprendizagem cooperativa. Aqui você encontrará referências atualizadas sobre essas metodologias para consultar sempre que quiser. Confira!

Aprendizagem baseada em Competências

Essa metodologia propõe que a aprendizagem dos alunos se dê através da prática do conhecimento e desenvolvimento de competências, o que difere de metodologias tradicionais aplicadas com exposição de conteúdo durante uma carga horária pré-determinada. Aqui, os conhecimentos e habilidades adquiridos preparam o estudante para desafios não apenas em ambiente escolar, mas também em seu cotidiano.

Existe uma valorização do conhecimento prévio do aluno, aquele já adquirido fora da sala de aula com suas experiências individuais. Desse modo, o professor pode orientar o aluno com flexibilidade, respeitando seu ritmo, visando preencher as lacunas do aprendizado ainda não desenvolvido. Para que isso aconteça, é preciso que haja uma reestruturação curricular promovendo o compartilhamento de práticas pedagógicas entre os docentes. Essa dinâmica de comunicação se estende às atividades em sala, promovendo a colaboração entre os alunos.

Nesse método, a avaliação se baseia no domínio das competências e não apenas de conceitos teóricos. Assim, o estudante evolui à medida que comprova o domínio da competência trabalhada, ou seja, o tempo de avaliação pode variar entre diferentes indivíduos.

Aprendizagem baseada em Problemas

A proposta principal dessa metodologia é promover a aprendizagem por meio da resolução de problemas para que o aluno assuma um papel de maior autonomia e responsabilidade por seu aprendizado. É uma abordagem diferente, onde o professor apresenta um problema geral para que os alunos investiguem as possíveis soluções de acordo com suas perspectivas.

O educador pode propor que as atividades de resolução sejam em equipe, para trazer diferentes pontos de vista ético-sociais, mas se atentando também aos estímulos e observações individuais. Esses conflitos cognitivos promovidos em grupo geram estímulos de liderança nos alunos, característica fundamental para atuar no mercado de trabalho atual e do futuro.

Os problemas precisam ser compatíveis com a realidade do aluno, refletindo situações que ele identifica com facilidade em seu cotidiano. Essa proximidade não deve facilitar a resolução do problema, e sim, auxiliar o aprendizado prático. O educador assume, nesse contexto, um papel de parceria com seus alunos, ao estimular a busca de conhecimento, ao orientar nos conflitos que possam surgir, e ao gerar no aluno a consciência do que ele já sabe e do que ainda precisa aprender.

Aprendizagem baseada em Projetos

Este método, talvez o mais conhecido até então, caracteriza-se como um processo ativo, onde o elemento central continua sendo a personalização do ensino, como vimos nas metodologias anteriores. Porém, sua proposta é trabalhar um conteúdo específico e/ou complexo por meio de desafios estruturados. À medida que o aluno constrói um projeto através de suas perspectivas, ele absorve e retém o conhecimento.

É recomendado que os projetos sejam trabalhados em grupos para promover sinergia entre os alunos e reforçar conceitos de empatia e colaboração. Após a apresentação da proposta, os alunos precisam dialogar, apresentar ideias e discutir possibilidades de resolução antes de iniciarem a construção. Embora o educador esteja sempre presente durante o projeto, mentorando os alunos, a intenção é que eles busquem e alcancem autonomia em suas tarefas individuais e coletivas.

A avaliação pode acontecer pelo desempenho do grupo, mas a participação e evolução do indivíduo deve ser o foco do processo. Checagens de conclusão de etapas são ideais para isso. Assim, o aluno que está com baixo desempenho pode apresentar melhorias nas etapas seguintes. Os feedbacks entre os integrantes dos grupos também são fundamentais durante toda a construção. Essa prática garante que várias visões e incentivos sejam discutidos, e que o aluno possa se questionar e refletir em uma autoavaliação.

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Aprendizagem Cooperativa

A metodologia cooperativa é uma estratégia em que os alunos trabalham juntos para alcançar objetivos comuns. Esse processo se inicia com uma divisão em pequenas equipes compostas por alunos com diferentes níveis de habilidade. Depois disso o professor introduz a temática que será trabalhada e orienta as equipes, garantindo que os integrantes ajudem uns aos outros.

O grupo tem a responsabilidade de atingir os objetivos propostos, mas as funções individuais são específicas. Cada aluno é responsável por fazer sua parte, mas também deve ajudar seus companheiros a aprender compartilhando suas dúvidas e aprendizado adquirido.

É importante que todos desenvolvam sua independência, aprendam a receber feedbacks, a ajudar e resolver problemas democraticamente. Debates e discussões são muito efetivos, pois ajudam os alunos a sintetizar conceitos e compartilhar ideias. Esses diálogos estimulam o desenvolvimento cognitivo e as habilidades de pensamento crítico.

O professor precisa estar atento à produtividade e evolução individual dos alunos, mas também se sua participação foi ativa no grupo. Para isso, é necessário monitorar como eles estão se organizando e os resultados obtidos em cada atividade.

Aprendizagem entre Pares ou Times

Este modelo propõe que a turma seja dividida em pares ou grupos para que os alunos compartilhem conhecimentos e experiências durante a execução das atividades. Como nas anteriores, o objetivo é manter o aluno no centro do processo estimulando suas habilidades de comunicação e liderança, de modo a prepará-lo para desafios futuros.

Os integrantes dos grupos ou pares, precisam manter uma frequência de encontros para trabalhar juntos os temas propostos pelo educador. Essa constância é importante para naturalizar o processo, pois nesses encontros os integrantes precisam expor suas opiniões e dar feedbacks construtivos aos colegas. Aqui, o professor age como mediador, garantindo que os alunos não se sintam vulneráveis e tenham a liberdade para contribuir nas discussões.

É importante deixar claro que não existem apenas respostas certas ou erradas, ou mesmo competitividade agressiva entre os grupos. A ênfase está no desenvolvimento dos alunos estimulando suas capacidades de avaliar e resolver problemas enquanto indivíduo e pertencendo a uma equipe.

Design Thinking

Como o nome já sugere, o design thinking envolve um processo de aprendizagem estimulado pelo pensamento do design. Ou seja, os alunos buscam soluções criativas para resolver os problemas e organizam suas soluções através de fluxos e elementos visuais.

Funciona da seguinte forma: primeiramente, o professor propõe um problema a ser solucionado. A partir daí os alunos debatem possíveis soluções, organizam suas ideias em organogramas ou tabelas com muitas cores e imagens para facilitar a compreensão. Depois, constroem protótipos para validar suas teorias e avaliam os sucessos e dificuldades do processo para que os erros não se repitam no próximo projeto.

É uma forma de adquirir e reter conhecimento colocando a “mão na massa”, trabalhando em equipe e, ao mesmo tempo, desenvolvendo habilidades individuais como o raciocínio analítico e a empatia. Esse processo interativo ajuda os alunos a enxergarem os problemas como oportunidades de superar novos desafios. Por consequência, eles se tornam indivíduos mais ativos e conscientes de suas capacidades.

Ideias inovadoras geralmente surgem nesse processo de colaboração, onde pessoas diversas, com diferentes pontos de vista, se unem para um objetivo comum. Os professores podem aproveitar essa estrutura para criar projetos interdisciplinares. Assim como em outras metodologias, a avaliações precisam se dar sobre o desempenho do grupo e sobre a atuação e evolução individual.

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Gamificação

Gamificação é um termo utilizado constantemente para falar de plataformas educacionais. Na educação, ela significa integrar a dinâmica de jogos ao processo de aprendizagem para melhorar o envolvimento dos alunos. É um método eficaz que pode ser praticado em sala de aula agregando etapas nas atividades.

Ao criar um projeto, o professor pode esquematizá-lo com missões que devem ser cumpridas. Assim, só será possível passar para o próximo nível da atividade após concluir a etapa anterior. A teoria da gamificação sugere que os alunos sentem-se mais engajados e aprendem mais quando estão se divertindo. O educador pode tornar as tarefas mais lúdicas e desafiadoras adicionando elementos como pontos, regras e recompensas.

Esse método é muito comum em ambientes virtuais de aprendizagem, dadas suas semelhanças com os videogames. Para serem utilizadas na escola e obter resultados expressivos, é necessário um uso recorrente e bem disseminado. A capacidade de coletar dados sobre o comportamento e desempenho dos alunos é essencial para medir o retorno desse investimento e direcionar intervenções por parte dos educadores. Esse retorno deve se basear na contribuição dessa gamificação para a formação dos alunos.

Portanto, os professores devem ser capacitados para interpretar essas informações e contarem com suporte detalhado sobre o uso dessas ferramentas. Só assim serão capazes de transformar números em ações que auxiliam no aprendizado dos estudantes.

Obviamente, o ambiente dessas plataformas deve ser estimulante para a exploração, criação e diversão dos usuários. Caso contrário, o engajamento cairá e todos os benefícios teorizados pela gamificação vão por água abaixo. Inclusive, esse desinteresse pode poluir as métricas coletadas durante os jogos, diminuindo a confiabilidade desses dados.

Agora, se o uso de uma plataforma não for possível, o educador pode criar suas próprias atividades e monitorar o desempenho dos alunos captando dados manualmente. Pode demandar mais tempo e esforço do profissional, mas não havendo opção, pode ser uma solução viável.

Sala de aula invertida

Como o nome já sugere, essa metodologia explora a inversão dos elementos pedagógicos tradicionais. Aqui o aluno recebe os materiais previamente, explora e pesquisa os conteúdos e na sala de aula pratica os conceitos. A intenção é otimizar o tempo na escola, dedicando menos tempo as aulas expositivas e mais tempo a construção de projetos práticos e colaborativos.

Os conteúdos podem ser disponibilizados de forma virtual para facilitar o acesso de todos. Materiais interativos, como vídeos ou animações, tendem a engajar mais os alunos. Pesquisas e questionários também podem ser disponibilizados para auxiliar o educador a identificar o domínio do aluno sobre o tema e suas dúvidas ou dificuldades no processo.

Já na sala de aula, o tempo é dedicado a análise e síntese dos conteúdos. O aluno pode compartilhar com seus colegas suas experiências e conhecimentos, fazer atividades ou projetos práticos e fazer perguntas ao professor. Em contrapartida, o educador passa a ter mais tempo para explorar as individualidades de cada estudante.

Com essa inversão o aluno tem a possibilidade de desenvolver melhor sua autonomia, pois ele passa a ter mais responsabilidade na etapa inicial do aprendizado. Além disso, outras habilidades como senso crítico, organização e criatividade também são estimuladas.

E agora, como aplico essas metodologias ativas?

Agora que você já compreende as diferenças entre as metodologias ativas, o primeiro passo é identificar qual delas está mais alinhada com os processos pedagógicos atuais da escola e pode ser mais benéfica para seus alunos. Feito isso, alinhe com a equipe pedagógica a melhor forma de introduzir a metodologia na rotina dos alunos, se haverá intervenções gradativas ou se o ano letivo já se iniciará com essa nova proposta.

É muito importante que os educadores e profissionais da escola recebam capacitação adequada em todas as etapas, tentativas e erros são naturais no processo. Também é necessário haver um alinhamento sobre as táticas de avaliação dos alunos e a exposição de todas essas decisões para a comunidade escolar. Para que os pais se envolvam nas atividades, eles precisam antes entender como elas são aplicadas e os benefícios que podem trazer para seus filhos.

Por fim, e extremamente importante, abuse dos recursos tecnológicos. As metodologias ativas podem e devem ser aliadas à tecnologia para otimizar os processos, envolver os alunos e garantir um processo de aprendizagem que faça sentido para eles. Enquanto o estudante permanecer no centro do processo, o aprendizado se mantiver como foco e os educadores buscarem por inovação, o processo de aprendizagem se manterá ativo, dentro e fora da sala de aula.

Esperamos que você tenha gostado desse artigo. Sinta-se à vontade para consultá-lo sempre que quiser e explorar os conteúdos que sugerimos através de hiperlinks em todo o texto. Essas são sugestões de materiais que podem te auxiliar em suas atividades rotineiras, solucionar dúvidas ou trazer dicas práticas.

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